Quatro ficam feridos e veículos danificados em presídio


Rebelião continua e presidiários estão armados mantendo reféns

Bombeiros, policiais e equipes do Samu se mobilizam no presídio (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)
A rebelião no presídio de Nossa Senhora da Glória continua. Presidiários mantêm dois agentes penitenciários como reféns e há familiares, que incluem mulheres, crianças e até idosos que estavam visitando os detentos neste domingo, 16.
Houve tiroteio e quatro pessoas ficaram feridas, segundo informações do Hospital Regional: dois agentes penitenciários, que foram transferidos para o Hospital de Urgência de Aracaju (Huse) numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e dois policiais militares lotados na 3ª Companhia do 4º Batalhão da Polícia Militar, que foram atendidos no hospital regional e logo receberam alta médica.

Os agentes penitenciários baleados durante o confronto foram identificados como Tércio Oliveira, alvejado por um tiro na coxa, e José Fernandes Almeida, atingido no braço direito. Eles necessitavam passar por um processo cirúrgico e foram transferidos, mas passam bem, segundo o coronel Edmilson Barros, comandante do Policiamento do Interior.
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O secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Benedito Figueiredo, comandou as negociações pessoalmente. O secretário classifica a iniciativa como uma tentativa de fuga frustrada, mas os detentos dizem que ninguém tentou fugir.

As informações são imprecisas a respeito da rebelião. Há informações que os detentos conseguiram render os agentes armados, tomaram as armas e ainda teriam tido acesso ao depósito onde ficam os armamentos, no presídio. Houve troca de tiros, deixando toda a comunidade em pânico. “Quando ouvi os tiros, corri e me escondi debaixo de uma cama”, conta uma funcionária do hospital regional, que prefere não ser identificada. Ela diz que trabalha sob forte tensão devido à possibilidade constante de ocorrências desta natureza.

O secretário de Justiça, Benedito Figueiredo, admite que os presos continuam armados, mantendo dois agentes penitenciários e visitantes como reféns. No início da noite, o fornecimento de energia foi interrompido e as negociações foram interrompidas. O coronel Barros acredita que a interrupção da energia elétrica não seria apenas questão de estratégia, mas também consequência do fogo na parte interna do presídio
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Por iniciativa dos próprios detentos, as negociações foram suspensas e serão retomadas na segunda-feira com a presença de advogado e do juiz da Vara de Execuções Penais, conforme garantiu o secretário Benedito Figueiredo.


Demissão

Além de atear fogo no setor administrativo do presídio, os detentos se apoderaram de uma motocicleta e de um veículo de propriedade de funcionários do presídio. Eles incendiaram a motocicleta e quebraram o veículo.

Muita coisa, inclusive objetos pessoais dos funcionários, foi destruída pelo fogo no setor administrativo. “Eu saquei meu décimo terceiro e o dinheiro estava na minha bolsa. Agora, virou cinza”, desabafou uma funcionária, apavorada.

Apesar do secretário classificar o episódio no presídio como uma tentativa de fuga coletiva, os detentos desmentem e explicaram, por meio de telefonema, que a rebelião seria consequência da revolta daquela comunidade com o tratamento dispensado pelo direção do presídio e também da superlotação. Eles exigem também a presença de um advogado, do juiz da Vara de Execuções Penais e tratamento humanitário para por fim à rebelião.
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Portal Infonet conseguiu conversar com um dos detentos por telefone, que permitiu fazer declarações sobre o episódio em viva voz, possibilitando o acesso à entrevista a outros jornalistas e radialistas, que acompanham a rebelião. Ao telefone, o presidiário não se identificou, se recusou a informar se eles estariam armados ou não e se classificou como porta-voz dos detentos. “Ninguém aqui quer fugir, o que a gente quer é a retirada do diretor e a revisão processual”, resumiu. “Queremos chamar a atenção da sociedade, estamos como qualquer profissional liberal e esta é a única forma que temos para reivindicar”, comentou.

A dona do telefone é uma companheira de um dos presidiários, que prefere o anonimato. Mas a polícia confiscou temporariamente o telefone, com a promessa de devolvê-lo após análise das ligações.

Apesar de armados, o clima é de tranquilidade, segundo admitiu o coronel Edmilson Barros, comandante do Policiamento Militar do Interior. “Há reféns, mas ninguém está sendo mais agredido”, revelou o coronel, no momento em que as negociações foram suspensas. Alguns familiares dos detentos já foram liberados, mas outros permanecem na parte interna do presídio.

Na porta do presídio ainda há grande movimentação. Curiosos e companheiras dos detentos se concentram no local, na tentativa de saber informações sobre a situação dentro do presídio. “Quem visita não está refém, todo mundo fica lá porque quer ficar, para evitar que a polícia bata neles”, explicou uma mulher, que também não quer ser identificada.

Por iniciativa dos próprios detentos, as negociações foram suspensas e o secretário Benedito Figueiredo retornou para Aracaju, no início da noite, com a promessa de voltar ao presídio às 6h desta segunda-feira, 17, para retomar os entendimentos.

Por Cássia Santana

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