Especialista mostra como investigar e evitar crimes pela internet

Imagem ilustrativa _Ascom_SSP/SEFonte: SSP/SE

Policiais do III Curso de Inteligência em Segurança Pública de Sergipe estão tendo aulas nesta segunda-feira, 19, na Academia de Polícia Civil (Acadepol), com o professor e delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Emerson Wendt, um dos maiores especialistas do Brasil em crimes cibernéticos.
Wendt é chefe da Divisão de Inteligência da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e na próxima quarta-feira, dia 21, 19h, lança na Livraria Escariz, o livro intitulado Crimes Cibernéticos Ameaças e Procedimentos de Investigação feito em parceria com Higor Vinicius Nogueira Jorge. Em um breve resumo, o especialista explicou o que é crime cibernético.


“Enquadramos o crime cibernético naquela conduta praticada no âmbito da internet e que é prevista pelo Código Penal Brasileiro apenas por poucas leis. Atualmente, podem ser praticados os seguintes crimes na internet: crime contra à honra, calúnia, injúria, difamação, ameaça, dano, inclusive contra o patrimônio público, notadamente quando é registrado contra sites do governo, racismo, furto qualificado mediante fraude, estelionato, extorsão”, explicou.
Wendt ressalta que as possibilidades são tão amplas que é possível um criminoso cometer até mesmo um homicídio através da internet. “O criminoso pode invadir uma rede de um hospital e desligar aparelhos, ou até mesmo modificar ou alterar a quantidade de remédios de um paciente, levando-o a morte”.

Foto: Ascom/SSPWendt esclarece que as redes sociais e os sites de compras coletivas potencializaram estes tipos de crimes. “Na verdade isso é uma mudança de paradigma, saímos do crime comum para o cibercrime. A internet facilitou a vida do criminoso. Este é lado ruim da internet e é aqui que entra a polícia”.

Segundo o professor, é possível se prevenir contra os criminosos tomando cuidados básicos como utilizar um sistema operacional seguro, usar uma máquina bem configurada, um bom antivírus, e, sobretudo, tomar cuidado com o próprio comportamento na internet, que de acordo com Wendt, é o principal fator de prevenção.

“O usuário deve ficar atento a toda e qualquer navegação na internet, ele não pode clicar em links recebidos por e-mail. Nas compras pela internet nunca se deslumbrar com o preço do produto, mas sempre com a confiabilidade do site. Sobre o uso de cartão de crédito, o usuário deve procurar um site seguro, que atenda os requisitos internacionais de utilização de cartões de crédito”, assevera.

Investigação

Com o crescimento deste tipo de crime, vários Estados estão começando a investir maciçamente na criação de delegacias especializadas e na formação de policiais. Estimativas apontam que somente o setor bancário teve um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em 2011. Emerson confirma a estimativa e aponta outro dado. “Em 2011 tivemos um aumento de 23% nas transações bancárias através da internet e isso caracteriza mais pessoas utilizando home banking e cartão de crédito para fazer compras na internet. O criminoso cibernético vai se aproveitar das falhas dos sistemas e, sobretudo, do comportamento desprevenido do usuário”, garantiu.

Ele lembrou da preocupação do Estado de Sergipe com este tipo de crime. “Esta
é a 5ª turma que ministro aulas no Estado e percebemos uma grande mobilização dos policiais para combater este delito”. Informado sobre a futura inauguração da Delegacia de Combate aos Crimes Cibernéticos em Aracaju, o professor elogiou a iniciativa e disse que certamente ela vai ajudar a combater os cibercrimes.
 
Esta Delegacia vai centralizar as técnicas de investigação e vai ter pessoal capacitado que vai saber conduzir uma investigação e orientar outros policiais de como conduzir uma investigação no âmbito local”.
No tocante à formação passada aos policiais do III Curso de Inteligência, Emerson disse que ensina técnicas de investigação e de obtenção de provas que podem subsidiar um inquérito e um futuro processo na Justiça. “
Tratamos bastante dos perigos que há na internet, a questão da tipificação penal no âmbito da rede, como investigar uma página e a origem de um e-mail, como guardar evidências extraídas da internet para utilizá-las na investigação policial. Também passamos informações até mesmo sobre o funcionamento da rede a fim de que o investigador saiba até mesmo como se comportar, procurando ficar invisível aos olhos do investigado. Naturalmente, respeitando os direitos e garantias constitucionais”.

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