A extinção de feriados no Brasil, inclusive Finados


*artigo de Elton Coelho
Com todo respeito aos Mortos e aos Vivos também: sou contra o feriado
Elton Coelho
 de Finados, e outros.  Já havia me policiado em relação a esta escrita, mas resolvi fazê-la. Aqui não é uma posição sectária ou contra a religião. Não, apenas por entender que “certos” feriados não se encaixam mais, nem no sentido de existir de fato, além de representar um grande atraso para a produção no país.
O que você faz no Dia de Finados? Aqueles que têm lembrança dos seus parentes, vão ao cemitério, rezam, depositam flores e pronto. Outros vão à praia e se divertem como se programam. Pode ser feito num dia qualquer, ou até mesmo no 02 de novembro, sem que necessário se faça decretar feriado nacionalmente.

Só para se ter uma idéia, a indústria brasileira deixará de produzir 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial este ano,
devido ao elevado número de feriados em relação a 2011. O alerta foi feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O estudo mostra que a indústria deixará de arrecadar R$ 44,9 bilhões em 2012 com o custo econômico dos feriados, montante 21% superior ao de 2011.

Em São Paulo, as perdas com os feriados nacionais e estaduais devem alcançar R$ 14,6 bilhões, seguindo-se do Rio de Janeiro (R$ 5,04 bilhões), de Minas Gerais (R$ 3,6 bilhões), do Rio Grande do Sul (R$ 2,9 bilhões), Paraná (R$ 2,4 bilhões), da Bahia (R$ 1,8 bilhão) e de Santa Catarina (R$ 1,7 bilhão).

O analista de Desenvolvimento Econômico da Firjan, Jonathas Goulart, disse à Agência Brasil que a solução seria restringir os feriados aos dias de semana. Ele lembrou que há movimento nesse sentido em vários países. Em 2008, a China deu o primeiro passo ao restringir os feriados a determinados dias da semana. E, recentemente, Portugal eliminou quatro feriados nacionais de seu calendário.

Outros feriados no Brasil caem por tabela: 15 de novembro, Proclamação da República. Sim, um fato histórico muito representativo para o país, mas que deve ser referenciado e comemorado efusivamente pelas nossas escolas, nossos estudantes. Passou, aconteceu e serve de exemplo histórico. Melhor data, historicamente falando, seria a queda da ditadura, em 1985, e nem por isso é feriado. Na mesma série de “os históricos”, sem sentido fica igualmente nos dias de hoje o 21 de abril, Dia de Tiradentes.

Assinalo também como feriado desnecessário ao país o de Corpus Cristhi, comemorado em junho. Sabemos que o nosso Brasil é extremamente católico e defendo que os atuais 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil), 08 de dezembro (Nossa Senhora da Conceição, padroeira da minha cidade – Aracaju), além da Sexta Feira da Paixão (geralmente no mês de abril) continuem sendo respeitados com a decretação do feriado. No entanto, o Corpus Cristhi é outra data a ser adorada e reverenciada pela comunidade católica, sem que se faça necessária a decretação do feriado nacional.

Prá ficar clara minha posição. Carnaval, São João, este último especialmente no junino Estado de Sergipe, além dos dias mundiais como 1º de janeiro, 1º de maio (Dia do Trabalhador), 25 de dezembro (Natal), 07 de setembro (Independência do Brasil), devem merecer essa deferência, ou seja, Feriados, acrescido dos chamados “Locais”, a exemplo da emancipação política do Estado e aniversário da cidade.

No mais, é fazer com que as relações trabalhistas se atualizem de modo a proporcionar momentos de lazer e folga aos trabalhadores, sem ter que comemorarmos feriados que efetivamente não comemoramos, nem tampouco ficarmos nos escudando em datas que só contribuem para emperrar o desenvolvimento do país e atrasar a Nação. É apenas uma reflexão, com intenção de gerar uma discussão. Isso bem que poderia ser repensado pelos nossos parlamentares em Brasília. Fica a sugesta.


*Elton Coelho é jornalista, licenciado em História e atual secretário-Adjunto da Comunicação da PMA.

Comentários

Anônimo disse…
Trabalhadores a favor dos feriados!
Poderíamos, parafraseando Lafargue (2003, 7), afirmar que o feriado é uma forma de
libertar os trabalhadores e os cidadãos das suas próprias almas, ou seja, libertá-los de si
mesmos: “não é o mineiro que é preciso libertar, é preciso libertar o mineiro do mineiro. Sua
alma é a sua prisão” (Deleuze, Apud Lafargue, 2003).
Analisar o significado do feriado e defendê-lo enquanto direito fundamental, em um
Estado Democrático de Direito, significa permitir ao trabalhador e ao cidadão livrarem-se de
suas próprias almas, ou seja, usufruindo da existência de momentos simbólicos que permitam
uma reflexão sobre a sua própria existência enquanto indivíduos e também membros de uma
comunidade.
fonte: http://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-16/RBDC-16-141-Artigo_Claudio_Maraschin_(O_feriado_como_direito_fundamental).pdf
Anônimo disse…
O feriado, para além de uma genealogia capitalista ou religiosa, possui um elemento
transformador, essencial na formação do tecido social e, consequentemente, cultural, pois ele
é a possibilidade de uma ascese mundana diante de uma lógica que prega a abnegação ao
trabalho como valor absoluto e imutável ou, por outro lado, de uma lógica que torna o feriado
um subproduto de uma determinada religião.
fonte: http://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-16/RBDC-16-141-Artigo_Claudio_Maraschin_(O_feriado_como_direito_fundamental).pdf

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