Polícias de SE e AL detalham, em Aracaju, operação para desarticular quadrilha de assaltantes de banco

Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSP
Fonte: SSP/SE
As polícias de Sergipe e Alagoas apresentaram na tarde desta segunda-feira (22), na Academia da Polícia da Civil de Sergipe, em Aracaju, informações acerca da operação deflagrada na madrugada do último domingo (21) quando uma quadrilha de assaltantes de banco responsável por ações nos dois Estados. 

A polícia se antecipou a mais um roubo que seria realizado pelo grupo, cuja ação deste domingo se preparava para explodir o cofre do Banco do Nordeste, em Gararu (SE). 

Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSPSegundo o diretor do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), delegado Everton Santos, esta quadrilha já praticou vários assaltos em cidades de Alagoas, em Coronel João Sá, norte da Bahia, e Ilha das Flores, Boquim e Gararu, em Sergipe. 

As investigações mostraram, ainda, que a quadrilha não tinha conhecimento técnico sobre o manuseio dos explosivos porque explodiam tantos os cashs eletrônicos como toda a agência bancária. Everton destaca também a ousadia da quadrilha que dominava o efetivo policial dos locais onde agiam para impedir a reação da polícia.

O delegado Cristiano Barreto, do Cope, explicou que na ação simultânea das polícias realizada neste final de semana, nas cidades de Traipu (AL) e Porto da Folha (SE), três assaltantes foram presos após atravessar o Rio São Francisco para o território alagoano.  

Outros quatro, que estavam escondidos em uma chácara na zona rural de Porto da Folha, receberam a polícia sergipana com tiros de fuzil 762, pistolas e Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSPrevólveres. No confronto, que durou cerca de 25 minutos, acabaram morrendo.

Um dos que morreram foi identificado como Cleovânio, que era fugitivo em Sergipe e em Alagoas, por diversos assaltos praticados nos dois Estados. 

Em 2011, ele foi liberado para participar do aniversário da esposa, mas nunca mais retornou ao presídio. Cleovânio participou de um assalto que acabou com a morte de um policial civil há três anos em Frei Paulo (SE) e passou a integrar a quadrilha de “Bida” e “Nildo Macedo”, presos há seis meses após efetuar um assalto em Piaçabuçu (AL). 

Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSP“Dai ele buscou nova ramificação, integrando a quadrilha de explosão de cash eletrônicos”, enfatizou o delegado Everton dos Santos, diretor do Cope.

Foram presos Erivânio Valeriano Gomes, Jadielson dos Santos, Jeferson Palmeira de Oliveira, Jerdas Dias de Oliveira, conhecido como 'Nem', José Dias de Oliveira e Rosicleide Palmeira de Oliveira. De acordo com a delegada da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic) de Alagoas, Maria Angelita Souza, 'Nem' é o líder da quadrilha. 

Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSP“Encontramos na casa dele em Arapiraca mais de 50 quilos de dinamite. O que chama atenção é que a casa dele é uma verdadeira fortaleza, protegida por dezenas de câmeras de segurança e com monitores até dentro do banheiro”, explicou a delegada.

Ela ressaltou que como o bando agia há mais tempo em Alagoas, o Deic já havia iniciado investigações e chegou prender cinco integrantes no mês de julho. “Eles agiam com extrema violência chegando a colocar bananas de dinamites enrolada no corpo dos gerentes dos bancos”, enfatizou a delegada.

Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSPO coronel Maurício Iunes, comandante geral da Polícia Militar, que comandou pessoalmente o efetivo do Comando de Operações Especiais (COE) da PM, ressaltou que os policiais do Comando de Operações Especiais (COE) percorreram um grande percurso a pé e pelo mato com o objetivo de cercar a casa e prender o bando. No entanto, os criminosos perceberam a chegada dos policiais e dispararam dezenas de tiros, inclusive de fuzil 762.

Coletiva à imprensa na Acadepol | Foto: Allan de Carvalho/SSPEste tipo de fuzil é de uso exclusivo do Exército e tem um poder de fogo devastador. Para se ter uma ideia, se colocarmos dez pessoas em uma fila a munição desta arma atravessaria o corpo de todas elas”, exemplificou o coronel Iunes. Foram apreendidos um fuzil 762, três pistolas 380 milímetros, quatro revólveres calibre 38, roubados de empresas de segurança privada de SE e AL; dois rádios comunicadores, dezenas de munições e três celulares.

Início das investigações

Bananas de dinamite apreendidas pela polícia | Foto: Allan de Carvalho/SSPEm Sergipe, as investigações começaram por conta de ações contra caixas eletrônicos nas cidades de Brejo Grande e Boquim. Nesta última cidade, a Secretaria da Segurança Pública de Sergipe (SSP) registrou a única explosão de cashs na história do Estado. No mesmo dia da ação em Brejo Grande, a polícia interveio e conseguiu evitar o mesmo crime em Gararu, cidade onde o grupo agiria na noite do último sábado, 20.

Por conta das investigações, as equipes policiais montaram barreiras nos dois Estados, em Traipu e Gararu. Percebendo a ação da polícia, os bandidos se recolheram em suas bases de apoio, mas foram localizados pelos policias. Em Alagoas, na perseguição feita pelos policiais alagoanos, o carro usado pelos criminosos encapotou e eles foram presos.

De acordo com a PC alagoana, a quadrilha é suspeita de ter participado também das explosões, nesse mês de outubro, das agências bancárias de Major Izidoro, dia 3, e de Olho D’Água Grande, na terça- feira, 18.

Dinamites

A polícia dos dois Estados informou que agora há duas preocupações: identificar os foragidos da quadrilha e saber a origem dos explosivos e quem e como eles conseguiram esse material. “Vamos solicitar informações do Exército Brasileiro, que é o responsável por este tipo de fiscalização, a fim de descobrir como os criminosos conseguiram esse material”, destacou o delegado Everton Santos.

O delegado André Baronto, do Cope, também participou da entrevista coletiva. A ação conjunta entre as polícias de Alagoas e Sergipe contou com equipes do Complexo de Operações Especiais (Cope), Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol) e Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar. Em Alagoas participou a Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic), por meio da Seção Especial de Roubos a Banco (Serb).

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