Valorize a sua palavra: sempre fale menos do que gostaria (I)

O político deve ser mais reservado, discreto, do que loquaz

Falar e ouvir, principalmente falar, é a marca dos políticos e da política. Falar num discurso no
pódio de uma Câmara Legislativa, falar numa reunião com assessores, falar em sussurros com
outros políticos, fazer declarações para a mídia, comunicar-se com eleitores, conversar ao
telefone, etc.

Não apenas falar, mas falar bem. Adestrar-se em cursos e livros de oratória, treinar a voz, cuidar da voz, aprender os truques que funcionam, adquirir a capacidade de dramatização. Enfim, dominar a arte do discurso... Tudo isto está certo. O político deve falar e deve falar bem.  Esta é uma arte do seu ofício que precisa ser dominada. Não há a menor dúvida que a oratória conquista, convence, persuade; nem tampouco que a argumentação consistente e sólida se impõe; nem mesmo que a dramatização oportuna e apropriada comove e sensibiliza;
e que o uso habilidoso das palavras pode seduzir. A questão da valorização da palavra torna-se então de suma importância para o político, exatamente pelo uso intensivo e freqüente que dela faz no exercício de seu ofício. A questão da valorização não reside, pois, no ato de falar, e sim em nuances do ato de falar, como: a oportunidade escolhida, sobre que falar, o quanto falar, com quem falar, de que forma falar, e, inversamente, sobre que, quando, e com quem não falar. O político que se encerra num mutismo, se isola, perde poder e torna-se irrelevante. De outra parte, o político que fala sempre e a todo o momento, torna-se banal, sem importância, perde poder e também torna-se  irrelevante. Entre um e outro extremo, sempre que o temperamento e as circunstâncias permitirem, o político deve se posicionar mais próximo do pólo da reserva, da discrição, do silêncio, do que do pólo oposto da loquacidade. O político deve ser prudente ao falar. Cauteloso quando fala com rivais e adversários, reservado quando fala com seus aliados, e com dignidade quando fala com os demais.
Não esqueça que a oportunidade de dizer uma palavra, pronunciar um julgamento, dar uma
opinião, sempre existe. A capacidade de apagar o que foi dito, lograr que seja esquecido, impedir a sua circulação, esta não existe. Não esqueça nunca que o silêncio não comete erros,
somente a palavra os comete. O jogo do poder, como reiteradamente tem sido exposto neste site, é um jogo onde as aparências são tão ou mais importantes que a realidade. É um jogo de interesses. Seus participantes querem sempre ganhar. Para ganhar, cada um desenvolve a sua estratégia que, sempre se compõe de uma parte visível e outra - mais importante - que não é visível, a não ser para quem a opera.
Neste jogo, todos estão sempre buscando descobrir a estratégia de seus rivais e adversários.
Todos estão envolvidos em uma tarefa de decodificação do significado dos comportamentos
(parte visível) para deles inferir, o curso de ação e os objetivos, mediante os quais os
adversários tentam vencer (parte invisível).
Ora, quem fala, mais do que precisa e deve, está dando os meios para que sua
estratégia seja descoberta. Se você cuidadosamente estabelece controle sobre o que
revela, eles não têm como penetrar o seu plano e descobrir suas intenções.07/02/13 .: Politica Para Politicos 
De Gaulle elaborou um primoroso discurso sobre a liderança

Gaulle
O poder está sempre cercado por uma aura de mistério, que depende, diretamente, do fato de ser dificilmente acessível. Nunca é demais reproduzir o trecho do discurso de De Gaulle, sobre a mística da liderança, quando ele fala - por conhecimento e experiência própria - do "mistério" que o líder político deve saber cultivar:

"Em primeiro lugar, e acima de tudo, não pode
haver prestígio sem mistério, pois a familiaridade
produz o desprezo. Todas as religiões possuem o
seu "santo dos santos" e nenhum homem é um
herói para o seu "empregado de quarto". Os
projetos, o comportamento, as operações mentais
de um líder, devem possuir sempre um "algo" que os outros não
conseguem entender, que os intriga e que os agita, atraindo a sua atenção.
Esta atitude de reserva exige, como uma regra, uma economia
correspondente de palavras e gestos. Nada reforça mais a autoridade que
o silêncio. O silêncio é a maior virtude do forte, o refúgio do fraco, a
modéstia do orgulhoso, o orgulho do humilde, a prudência do sábio, e o
bom senso dos tolos."

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