Delegacias em Alagoas estão abandonadas

Sindpol e Adepol denunciam descaso do governo do Estado


Regina Carvalho
Os últimos dois anos foram marcados pela reforma de delegacias e também por denúncias sobre o mau uso de verba pública nos reparos desses prédios. Sem um local decente para trabalhar, policiais civis e delegados alertam que o descaso do Governo do Estado com a área de segurança pública gerou o sucateamento de distritos policiais e “atinge em cheio” a população.

As inspeções realizadas pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) revelam situações degradantes dentro de delegacias da capital e do interior de Alagoas. Obras inacabadas, mal feitas, prédios sem estrutura para abrigar presos e policiais desmotivados sem poder desempenhar suas funções fazem parte dos relatos de agentes e delegados.

Diante das denúncias de colegas sobre a precariedade das delegacias, o presidente da Associação dos Delegados da Polícia de Alagoas (Adepol), Antonio Carlos Lessa, informou à Gazetaweb que começa um levantamento na próxima semana para traçar um diagnóstico sobre a situação atual.



Abandono de reformas

“Temos várias situações na capital e no interior. Por exemplo, na Delegacia Regional de São Miguel dos Campos, tem lá na placa que a reforma custará R$ 180 mil. Acontece que as obras começaram no ano passado e nunca terminaram. Quando eu era da regional de lá reformamos com R$ 30 mil. Veja só que diferença”, declarou.

O levantamento feito pela Adepol será encaminhado ao Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), Ministério Público Estadual (MPE) e a Secretaria de Estado de Defesa Social. “Atualmente a equipe de São Miguel dos Campos está trabalhando em prédio alugado pela prefeitura”, informou Lessa.

A situação neste município, de improviso, é realidade em outras cidades. “Em Penedo, estão setenta presos quando a capacidade é de apenas 24 presos. Essa delegacia é campeã de fuga, por causa da falta de estrutura”, relatou o presidente da Adepol. Em Matriz do Camaragibe e Palmeira dos Índios, a Justiça teria sido alertada sobre a situação.


Medo de tragédia

O presidente da Adepol disse que teme “problemas mais sérios e até tragédia” devido à falta de estrutura nas delegacias. “No 11º DP, o prédio é antigo e cheio de problemas como infiltrações. Não podemos mais conviver com essa falta de estrutura. Qualquer momento pode acontecer uma fuga e acontecer uma tragédia com os policiais, delegados ou a própria população”, disse Lessa.

Na Região Norte a situação é bastante grave. As delegacias de Matriz do Camaragibe e São Luís do Quitunde apresentam problemas nos prédios. Em Porto de Pedras e Passo do Camaragibe não há sequer local próprio, a “estrutura” dos distritos “funciona” em casas alugadas como em São Miguel dos Campos.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que não há previsão de aquisição de novas sedes nessas cidades e que, por enquanto, as delegacias continuarão funcionando em prédios alugados. 

O vice-presidente do Sindpol, Edeilto Gomes, informou que o sindicato acompanha o andamento das obras anunciadas pelo governo tucano. “Na capital a informação que temos é que a maioria das empresas que entraram na licitação acabou abandonando as obras”, relatou.





Sem condições

Exemplo que os trabalhos foram abandonados no meio do caminho ou então se perderam sem atender as necessidades da delegacia é lembrado pelo integrante do Sindpol. “No 3º DP, 7º DP e 2º DP obras não foram concluídas e geram problemas para o pessoal que trabalha lá. A situação também é complicada no 10º DP e no 11º DP”, disse Edeilto Gomes.

Se a situação é de abandono na capital, as delegacias no interior vivem verdadeiro caos segundo o Sindicato dos Policiais Civis. Em Matriz do Camaragibe, Penedo e Palmeira dos Índios os prédios apresentam sérias irregularidades. “Estivemos em Palmeira e encontramos presos algemados em celas, em motos, em bicicletas. Um total desrespeito ao ser humano. Cobramos providências e acionamos a OAB”, reforçou o sindicalista.

Ainda de acordo com o Sindpol, a delegacia de Matriz de Camaragibe não tem condições de funcionar. A reforma, segundo denúncia, teria custado R$ 155 mil e foi abandonada pela empresa. “O material é de boa qualidade, mas o que fizeram é inacreditável. Colocaram até mármore nos degraus, mas não fizeram outras coisas importantes como deveriam”, acrescentou. 



Inquérito

Em maio de 2012, o promotor da Fazenda Pública Coaracy Fonseca, instaurou inquérito civil para apurar irregularidades na reforma de duas delegacias, o 6º e o 10º Distrito Policial, em Cruz das Almas e Eustáquio Gomes. O objetivo era checar se houve superfaturamento nas obras.

O integrante do MPE está em férias, mas confirmou que o inquérito continua em andamento e que o objetivo é checar denúncias de sobrepreço e de obras mal feitas.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Defesa Social informou àGazetawebque detalhes sobre a reforma das delegacias serão passadas somente pelo delegado Maurício Henrique Duarte, secretário-adjunto da Seds nesta segunda-feira (4).

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