“Doutor João pode ser candidato a governador”, acredita Márcio Macedo


Sobre o Proinveste: “Quem estiver subestimando a memória do povo vai cair do cavalo”, diz

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“Doutor João pode ser candidato a governador”, acredita Márcio Macedo

Márcio: apostando em Jackson

Por Joedson Telles

O deputado federal Márcio Macedo (PT) reuniu a imprensa, petistas e simpatizantes do seu mandato e fez um balanço do ano de 2012. O parlamentar, ao final da apresentação, concedeu entrevista e comentou a febre política do momento – o empréstimo de R$ 727 milhões que o governo do Estado luta para obter aval da Assembleia Legislativa para contrair junto ao Governo Federal através do Proinveste. Márcio Macedo também falou sobre as eleições 2014, e ajuizou que o nome do vice-governador Jackson Barreto (PMDB) aparece, neste momento, como o mais forte para o para a disputa do governo do Estado. Márcio ainda comenta a possibilidade de o governador Marcelo Déda (PT) disputar o Senado e a polêmica do julgamento da Ação 470 – o Mensalão, que condenou petistas históricos como José Dirceu. A entrevista foi concedida aos jornalistas Joedson Telles e Chico Freire, no Hotel Real Classic de Aracaju, na noite da última quinta-feira 20.         

O senhor ainda acredita na aprovação do Proinveste?   
O Proinveste é algo que merece de nós sergipanos uma avaliação muito aprofundada. Eu espero que o grupo liderado pelos irmãos Amorim possam compreender que o Proinveste não é um instrumento político, é um instrumento que vai levar cidadania para os sergipanos, que vai aumentar a capacidade de estrutura do estado, que vai ter ações concretas na saúde como o Hospital do Câncer, na educação como a recuperação de escolas, de biblioteca, que vai aquecer a economia do nosso estado. O Proinveste não pode ser instrumento de disputa política. Não é educativo para nós. Nós que somos políticos temos que fazer nossas disputas na hora adequada. Vai chegar o momento que nós vamos disputar politicamente, mas nesse momento a classe política de Sergipe tem que ter unidade em torno de presente e do futuro de Sergipe. Eu sou um homem de muita fé pela minha formação crista. Eu estou com fé que os deputados estaduais possam olhar para os seus filhos, olhar as crianças nas ruas e não negar isso a Sergipe, que Sergipe possa ser um estado digno que essas gerações possam viver , porque esses R$ 727 milhões para um estado com as nossas dimensões, com as fragilidades históricas que nós temos, esses recursos com certeza vão garantir um futuro melhor para o nosso estado. Nós estamos em crescente. Sergipe tem um índice de desenvolvimento humano alto, tem qualidade de vida, é um dos estados que mais gera emprego, é um dos estados que tem maior renda. Nós estamos em crescimento. Aí os irmãos Amorim vão impedir esse crescimento de Sergipe por uma disputa eleitoral? É um equívoco. Chega a ser insanidade. Não posso acreditar que o povo vai esquecer isso. Quem estiver subestimando a memória do povo vai cair do cavalo. A consciência das pessoas é algo que tem crescido muito no nosso país. As pessoas estão deixando de ser só indivíduos e estão sendo indivíduos e cidadãos. Então eu quero acreditar que nessa reapresentação do Proinveste os interesses do estado e do povo sejam maior que os interesses políticos de um grupo liderado por dois irmãos que eu acho que poderiam dar o exemplo que tem compromisso com o estado, não com a eleição. Nós temos que pensar não na próxima eleição, mas na próxima geração.


Recentemente, durante uma reunião do PT, o deputado federal Rogério Carvalho, praticamente, lançou o nome do governador Marcelo Déda como candidato ao Senado, em 2014. O PT vai mesmo fazer essa campanha para Déda?

Não está decidido porque o partido ainda não reuniu os fóruns e não é hora ainda, mas Déda tem prestígio dentro do partido, tem a solidariedade do PT e, se ele desejar sair do governo para disputar a eleição de senador,  terá, certamente, a aceitação do partido.

O PT levou 30 anos para chegar ao poder. E, pelo que parece, não terá um candidato próprio para tentar suceder o governador Marcelo Déda, em 2014. Faltou preparar este sucessor?
Eu sou um daqueles que gostaria, do fundo do meu coração, que o candidato fosse do PT, mas a vida é como ela é. Eu acho que nós também não somos hegemônicos como nos acusam. Eu acho que o PT cumpriu um ciclo fundamental para uma nova forma de gerir o Estado, uma nova forma de cuidar das pessoas e uma forma de respeito às políticas para o conjunto da população, e no conjunto da população prioridade são aqueles que mais precisam da presença do Estado. Nós cumprimos um papel importante. A história está mostrando nesse momento que um outro partido da base está tendo condições mais objetivas na disputa. Assim como tivemos candidatos e os partidos apoiaram , eu acho que cabe ao PT dar uma demonstração de maturidade e ver que em um momento histórico um partido aliado reúne a melhor condição de estar liderando um projeto. Vamos ajudar espero que sejamos vitoriosos e vamos cumprir o nosso papel nesse projeto. Isso não quer dizer que o PT deixe de continuar se fortalecendo. Vamos continuar fazendo nossa construção partidária, vamos continuar fortalecendo o PT no interior do estado, fortalecendo as instâncias democráticas do partido, fortalecer e ampliar nossa participação nos movimentos sociais e continuar nossa tradição porque é um partido que a vocação para ser grande. O futuro a Deus pertence, e a construção histórica dirá como vamos estar em um futuro próximo.

O nome, hoje, para o governo do Estado é mesmo Jackson ou passa por um discussão?

Jackson é um nome que naturalmente está sendo colocado no processo. O nome de Jackson nesse momento é o que reúne a unidade política necessária para liderar um projeto da disputa de 2014. É óbvio que nós temos quase dois anos daqui para lá. Estamos expostos a alterações, mas se tudo acontecer de forma natural, sem nenhum movimento brusco, a tendência é Jackson ser o candidato do bloco para a disputa (do governo do Estado) de 2014.

O PT “brigaria” para indicar o candidato a vice-governador?

O PT vai trabalhar para estar na chapa majoritária. É a condição nessa disputa. Não tem disputa nesse campo sem o PT na chapa majoritária. Se o PT puder estar no Senado e na vice é ótimo. Se não, nós vamos ver no que podemos participar, mas na chapa majoritária não tem discussão com o PT se ele não estiver.

Comenta-se que uma candidatura de Rogério Carvalho para o governo do Estado não está descartada dentro do PT. É possível analisar essa hipótese?
Eu estou te dizendo que as condições que estão sendo colocadas a tendência natural é o PMDB ter um candidato a governador e o PT nessa aliança na chapa majoritária. Isso nas condições normais de temperatura e pressão. Eu não vou discutir na condicional porque quando se responde na condicional se arrebenta quem responde. O PT é um partido grande. Se o PT for respeitado como respeita os aliados não tem menor problema, vamos marchar com Jackson. O PT não pode ser massacrado nem pode ser desrespeitado porque nós não fazemos isso com os aliados. Nós tratamos com respeito e com atenção. Se a força política do PT for respeitada não tem a menor crise. Vai ser Jackson governador e o PT na chapa majoritária. Se Déda assim desejar, é o nome prioritário do partido para compor a chapa majoritária.

E as quanto às especulações que o grupo de Déda pode compor com João Alves?
Eu não conheço. Eu vou defender no Diretório Municipal do partido que o PT faça oposição ao doutor João Alves em Aracaju. Oposição respeitosa, responsável e propositiva, mas quando os interesses do povo de Aracaju não for respeitado o PT vai agir com dureza como sempre agiu. Então, é isso que defendo porque foi isso que as urnas falaram. As urnas deram a vitória a doutor João. Eu respeito a opinião do povo e reservou ao PT em Aracaju o papel de oposição. Então nós temos que nesses quatro anos exercer o papel que o povo nos deliberou. É isso que vou defender.

Nem o “militante” João dará uma força a Jackson, se ele for mesmo candidato a governador?
Doutor João pode ser candidato a governador. Pode lançar uma candidatura. Então, qualquer avaliação sobre isso é prematura. Vamos deixar ele fazer o governo dele, espero que ele faça um bom governo e vamos fiscalizar e fazer a oposição nos termos que eu falei aqui.

Como está Brasília, com essa condenação de Zé Dirceu e companhia?
Eu estou muito preocupado com o conflito de poderes. Independente das pessoas que foram condenadas, eu acho que a forma não foi adequada. Eu acho que foi politizado muito um poder que não pode ser politizado, e isso pode gerar jurisprudências que podem dificultar a ação do Supremo num futuro próximo. Abriu-se muitas concessões, muitas brechas. A outra questão é a invasão de outro Poder. Na democracia o poder emana do povo. Então, um poder como o parlamento brasileiro que é eleito pelo povo ele tem que ser respeitado nas suas prerrogativas. Eu acho um exagero o Supremo influenciar na pauta da Câmara do Congresso Nacional. O demais, a história vai mostrar. O debate, agora, é muito emocional e caloroso. Deixe assentar que a história vai mostrar quem está certo.

O senhor prega que quem pode tirar o mandato parlamentar é o Congresso. Como entender que a Suprema Corte desse país condena o parlamentar a 15 anos de reclusão em regime fechado e, ao mesmo tempo, esse parlamentar circula por esse país, enquanto existem pessoas que nem julgados foram, mas estão presas?
Não se pode corrigir um erro com outro. Isso que está acontecendo tem que ter uma ação para que isso não aconteça. O que eu estou defendendo é o respeito entre os poderes constituídos do Brasil. Estou defendendo que seja respeitada a Constituição. A Constituição diz que os parlamentares que cometerem erro terão que ser julgados pelo parlamento. Estou defendendo que seja respeitada a autonomia dos poderes e que um poder não seja inerente em outro porque nós temos uma democracia muito recente e muito frágil. Ainda vivemos uma barbárie que foi o regime de exceção a menos de 20 anos atrás. Então temos que aprofundar e cuidar da nossa democracia. Um poder não pode usurpar o poder do outro.

Em sendo respeitado os poderes, o senhor defende que os parlamentares condenados percam o mandato?
Eu defendo que a Câmara julgue e que o debate seja feito. Vamos estudar cada processo. Não se pode nem condenar e nem absolver as pessoas sem antes estudar e ver o que aconteceu.

O deputado Laércio Oliveira se posicionou favorável ao Proinveste, mas como faz parte do bloco liderado pelos Amorim, acabou bombardeado por aliados. Como o senhor avalia isso?
Eu achei uma deselegância com o deputado Laércio, e quero colocar minha solidariedade ao deputado, porque ele é um deputado federal eleito pelo povo, tem todo o direito de se manifestar. Ele milita em uma categoria que o Proinveste vai ser fundamental para aquecer a economia. Ele tem todo direito de emitir suas opiniões e de defender as teses do universo político e da categoria que ele milita. Se um deputado federal não tiver condições de emitir suas opiniões é difícil.

Da redação Universo Polítioco.com

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