Falta de luvas no Hospital de Urgência impede médicos de realizarem cirurgias


Por Joedson Telles
Falta de luvas no Hospital de Urgência impede médicos de realizarem cirurgias

Augusto: "É o ovo com duas rodelinhas de tomate e duas rodelinhas de pimentão"

O presidente do Sintasa, Augusto Couto, revela que a situação no Hospital de Urgência de Sergipe governador João Alves Filho, o Huse, é bem mais grave que a denúncia de o cardápio servido a pacientes e servidores ter substituído a carne por ovos. Augusto além de confirmar isso vai além e aponta problema com os direitos trabalhistas dos servidores, falando em uma dívida com INSS e FGTS dos servidores de R$ 1 milhão. No terreno da vida, o sindicalista afirma que médicos estão deixando de realizar procedimentos cirúrgicos por falta de material básico do básico. “Se analisarmos dentro de um contexto geral, a gente vê que falta tudo no Huse. Desde alimentação para profissional e paciente até a falta de material básico como luvas, gases, ataduras. Isso é constante. Houve algumas reclamações de alguns médicos que não podiam mais fazer cirurgias, porque não tinham mais luvas. O quantitativo que chega lá é muito delimitado para que possa dar um bom atendimento. Isso em todos os hospitais regionais. Visitamos Estância, Gloria, Itabaiana e é uma loucura”, diz.


Universo Político.com - Como o Sintasa está acompanhando essas denúncias envolvendo o HUSE, e a alimentação servida aos seus servidores?
Augusto Couto - O servidor mal alimentado não vai produzir como deveria. O Sintasa está preocupado com essa situação. Já atendemos várias denúncias de servidores falando que a alimentação não presta, e está dando infecção intestinal. Já enviamos uma demanda para a FHS, pedindo para que ela possa resolver, já que as  fundações vieram para melhorar não só o atendimento à população, mas dar uma estrutura melhor aos profissionais, e até agora não fez nada, continua essa denúncia dos próprios servidores e nós estamos vendo in loco que é  verídica, os servidores estão comendo ovo de manha, de tarde e à noite, principalmente à noite. É o ovo com duas rodelinhas de tomate e duas rodelinhas de pimentão. Os profissionais vão perder até o estímulo de trabalhar e de dar um bom atendimento à população.

U.P. – A Transurh está pagando aos servidores?
A.C. -  A Transurh está pagando via judicial. O Sintasa entrou com uma Ação Judicial junto ao Ministério Publico do Trabalho, e hoje quem paga diretamente os profissionais e a FHS. Foi um termo de compromisso. Por isso que não há atraso de pagamento, mas há uma dívida de INSS e FGTS com os profissionais que chega a quase R$ 1 milhão. Tem também outro contrato da Transurh com a Secretaria de Estado da Saúde que foi rompido, mas existem alguns débitos para pagar a rescisão dos profissionais. Nos já pagamos cerca de R$ 105 mil aos profissionais, mas faltam R$ 89 mil. Na semana passada, fui convidado para uma reunião no Ministério do Trabalho e lá  foram bloqueados R$ 20 mil. Nós estamos aguardando que disponibilizem esses  R$ 20 mil para pagarmos os funcionários.

U.P. - Existem outros problemas no Huse, além da precária alimentação e da afronta aos direitos trabalhistas dos servidores?
A.C. - Se analisarmos dentro de um contexto geral, a gente vê que falta tudo no Huse. Desde alimentação para profissional e paciente até a falta de material básico como luvas, gases, ataduras. Isso é constante. Houve algumas reclamações de alguns médicos que não podiam mais fazer cirurgias porque não tinham mais luvas. O quantitativo que  chega lá  é muito delimitado para que possa dar um bom atendimento. Isso em todos os hospitais regionais. Visitamos Estância, Gloria, Itabaiana e é uma loucura. O sindicato vai in loco, à noite mesmo, e os profissionais estavam sem condições e atender à população porque o quantitativo de feridas e muito pouco, as luvas também. Fica a cobrança da população para aquele profissional que esta lá e cá as Fundações da Saúde não estão dando as condições para que possamos dar um bom atendimento à população.

U.P. – O senhor diria que as Fundações da Saúde estão falidas?
A.C. - O que a gente vê é que está chegando ao ponto final de falência, porque tinha uma estrutura, mas, de repente, desmoronou. Coisas pequenas que não poderiam faltar como luvas, seringas, gases, faltam. Os pacientes de câncer estão aí gritando porque não tem medicações que são caras. O que a gente já ouviu das fundações é que têm uma grande dívida com os fornecedores. Qual o fornecedor que vai agora dar o aval de fornecer mais produtos, se está devendo um valor muito alto? Estamos brigando pelo plano de careira. O governo vai ter sustentação para  manter um plano de carreira. Ele prometeu desde o ano passado. Vários sindicatos da saúde participaram da mesa de negociação no ano passado. Agora, o cara vê o gestor como um carrasco, porque o gerente das unidades das fundações bota para quebrar com os funcionários e não dá estrutura. Se eu sou gerente de uma unidade de saúde eu tenho que dar estrutura para cobrar do profissional. Está acontecendo isso em vários locais, principalmente em Estância. Existe isso, mas não deveria acontecer. Esses gestores tinham que estar qualificados para gerenciar e organizar a estrutura.

U.P. – E o Estado? Como age frente a tudo isso?
A.C. - Nós não estamos vendo o Estado se manifestar em cima das fundações para dar uma injeção. O Estado não dá um suporte para resolver os problemas. Então, estamos vendo que o Estado está colocando de lado a sua população, que é a mais penalizada com isso. Os profissionais estão lá trabalhando, mas chegaram ao seu limite. Foi dito que a saúde nesse ano ia melhorar tanto do ponto de vista salarial quanto do atendimento à população. Não é culpa dos profissionais, mas é a forma de gerenciar dos gestores que não sabem lidar com os profissionais, que, por isso, ficam revoltados. Cobram melhoria da saúde do nosso estado.

U.P.- O senhor acha que o deputado Augusto Bezerra acerta quando atribui o que define como caos na saúde e fala em CPI à semente plantada pelo então secretário Rogério Carvalho?
A.C. - A gente procura não entrar no campo político. A gente se coloca em uma posição de buscar as condições de trabalho. Mas muitas vezes existem comentários que são verídicos. Mas a gente não quer entrar nesse leque. Temos uma abertura dentro da própria Secretaria de Saúde para irmos buscar as informações e trazer para os profissionais.

U.P. – Mas o Sintasa aprova a gestão de Rogério Carvalho?
A.C. - Deixou a desejar. Quando você se coloca em uma posição que construiu uma estrutura de saúde, mas não deu continuidade, deixa a desejar. Tinha que dar continuidade para que pudesse melhorar a saúde do estado.
  
U.P. – E hoje quem paga essa conta?
A.C. - Hoje quem está pagando é o paciente, o profissional, o auxiliar, o técnico de enfermagem. A gerência (das FHS) deveria estruturar mais o profissional para que ele pudesse dar um bom atendimento a nossa população.

U.P. – O que o Sintasa diria ao paciente que, sem dinheiro ou um plano de saúde para buscar um hospital privado, precisa bater à porta do Huse?
A.C.- Tem que pedir muita sorte a Deus. Pedir para que os profissionais tenham estrutura necessária para dar um bom atendimento e suporte para atendê-lo. Eu sempre digo que quem esta ali dentro é abençoado por Deus, porque está ali todo dia atendendo à população de uma cidade imensa. Trabalhando constantemente.

Da redação Universo Político.com

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