Sertanejos deixam interior por causa da seca


Poço Redondo vê êxodo de moradores nas áreas mais afetadas.

JornaldaCidade.Net

Ao contrário do que cantava Luiz Gonzaga,  de que só deixaria o Cariri “no último pau de arara”, os sertanejos sergipanos já estão saindo da zona rural em virtude da seca que assola, não só Sergipe, mas todo o Nordeste. Em Poço Redondo, a  173 quilômetros de Aracaju, a secretária municipal de Ação e Inclusão Social, Maria José Feitosa de Souza, disse que muitas pessoas estão colocando as casas à venda, enquanto outras vendem o gado. “Isso está ocorrendo, inclusive, com pessoas de melhor poder aquisitivo”, afirmou  a secretária.


Os sertanejos que  estão vendendo as casas e as poucas reses propõem receber o  pagamento em quatro vezes.  “As pessoas estão deixando a cidade e a zona rural, porque não há nada a fazer”, completa a secretária, ao frisar que o município, com aproximadamente  32 mil habitantes, tem entre 115 a 120 povoados e localidades.  “O sofrimento do povo é muito grande”, lamenta. Os carros-pipas continuam  circulando na região.

Em  Canindé do São Francisco, a 211 quilômetros da capital, o exôdo rural não é tão grande porque a administração municipal oferece alguns programas para manter as famílias na cidade e zona rural. “Estamos suprindo com cestas básicas, tanto por parte do município, como por parte do governo do Estado”, disse a assistente administrativa da Secretaria Municipal de Assistência Social de  Canindé, Patrícia Costa Medeiros.

Ainda este mês, 1.285 famílias receberão a terceira e última remessa de cestas básicas enviadas pelo Governo do Estado. Paralelo a isso, o município também está doando cestas básicas para a população carente. Tanto a Defesa Civil como a administração municipal, também, estão atuando na distribuição de carros pipas. Estes programas, por enquanto, estão sendo suficientes p ara manter as pessoas no local onde moram.

O coordenador do Centro de Meteorologia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Overland Amaral, afirmou que chuvas estão previstas para ocorrer na região a partir do dia 19, sábado. “Há uma grande concentração no litoral norte e baixo São Francisco. No dia 20, deveremos ter chuvas no semiárido.No dia 21, chuvas bem distribuídas no sudeste  do Estado, parte de Estância, Santa Luzia, Arauá, Boquim, Itaporanga e Salgado. No dia 22, está prevista grande concentração em toda extensão do litoral e menor escala no baixo São Francisco”, explicou o meteorologista. 

Ele ressalta, no entanto, que não serão chuvas suficientes para encher açudes e devem acontecer de forma intercalada nas regiões.  “O semiárido dentro da normalidade terá chuva. Não serão chuvas  de trovoados, mas molhadeiras. Se for bem trabalhada na agricultura, a chuva vai ajudar”, assegurou Overland Amaral.

IBGE

O Censo 2010 do IBGE mostrou que o número de pessoas que moram em áreas rurais continua diminuindo no país, porém, num ritmo menor do que na década anterior. De acordo com a pesquisa, a população rural no país perdeu 2 milhões de pessoas entre 2000 e 2010, o que representa metade dos 4 milhões que foram para as cidades na década anterior.

Segundo o doutor em economia popular e professor da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles, 80% da população nordestina já vive em áreas urbanas, com povoados e cidades cada vez mais habitados. Para ele, isso é reflexo da maior quantidade de serviços ofertados, o que fica ainda mais evidente durante as secas.

“No semiárido, esse índice [de urbanização] ainda não foi alcançado, mas caminha nessa direção. Nas zonas urbanas, as adutoras ou os carros-pipa levam a água, e os programas sociais são mais presentes. Portanto, as possibilidades econômicas são mais efetivas que na área rural. Daí o movimento campo-cidade ter um aumento de fluxo”, afirma.

Segundo Péricles, a seca traz enormes danos sociais e econômicos à população e à economia do semiárido. “O prejuízo é imediato pela impossibilidade do plantio decorrente da falta de água ou mesmo a perda total da colheita. Essas perdas familiares repercutem na vida comercial dessas cidades, reduzindo o vigor das feiras e das atividades na prestação de serviços. Como são localidades pobres, sem um tecido econômico dinâmico, as consequências imediatas desse fenômeno são vistas de maneira dramática, com relatos de perda de patrimônio e endividamento das famílias de agricultores e moradores da área rural e urbana”, finaliza.

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