A retificação dos trilhos


Flavio R. Cavalcanti - 16 Mar. 2011
A retificação do trecho Natal-Colégio da Estrada de Ferro EF-101 esteve em estudo pelo DNEF e pela RFFSA, pelo menos até meados de 1970, segundo Délio Araújo:

A composição e a direção das correntes regionais de tráfego indicam que se deve seriamente cogitar em um tronco que, largando da capital potiguar e correndo paralelo ao litoral, termine em Colégio, sobre o rio São Francisco. Este tronco, que está sendo estudado tanto pelo Departamento Nacional de Estradas de Ferro como pela Rede Ferroviária Federal, aproveitará, após a reconstrução em melhores condições técnicas, de várias das seções da linha atual. Torna-se imperioso, como está programado pela Rede Ferroviária Federal, lançar-se imediatamente uma ponte através do caudal que se interpõe entre Colégio e Propriá, de modo a eliminar o ferry-boat, de operação falha, dispendiosa e demorada.


Croquis de Délio Araújo indicando os trechos de planície em estudo pelo DNEF / RFFSA
para retificação da Estrada de Ferro EF-101
Embora sem maiores detalhes técnicos, fica implícito que a retificação não exigia, necessariamente, altíssimos investimentos. Mesmo com padrões técnicos relativamente modestos — como tantas outras linhas de bitola métrica construídas na época —, os novos trechos já elevariam drasticamente a capacidade de transporte da ferrovia EF-101, pela simples redução do trajeto e eliminação das onerosas subidas e descidas. Tudo quanto precisava, era manter-se na planície, para cumprir sua função longitudinal.

Curiosamente, porém, havia uma proposta "concorrente" de apenas criar um atalho entre Paquevira (alt. 529 m) e Palmeira dos Índios (alt. 391 m):

Não é conveniente, segundos os técnicos do DNEF e da RFF, substituir o tronco, que se projeta entre Natal e Colégio, pela linha atual, caso seja implantada a variante, muitas vezes proposta, ligando Paquevira a Palmeira dos Índios. A linha Recife - Paquevira - Lourenço de Albuquerque - Palmeira dos Índios - Colégio (Mapas 6 e 8), além de descrever enormes voltas, é por demais acidentada e de operação difícil. Partindo do nível do mar, em Recife, para atingir a cota de 564 metros de altitude, em Água Branca, desce a seguir à cota de 46 metros em Lourenço de Albuquerque, para novamente ascender, desta vez a 464 metros de altitude, na estação de Anum, e logo em seguida abaixar para 18 metros, em Colégio. O tronco ora em estudos não abandonará a planície litorânea. De fácil construção e custo de implantação aceitável, integrará a RFN no mercado zonal e interzonal de tráfego, consolidando-a na competição pelos fluxos atuais e abrindo uma brecha no domínio absoluto do transporte rodoviário, qual seja o fluxo sul-norte.


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