Presos fogem do Complexo de Gericinó, em Bangu, pela tubulação de esgoto


Vinte e sete detentos fugiram. Segundo a Seap, quatro já teriam sido recapturados


O GLOBO

RIO - Vinte e sete presos fugiram do Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, em Bangu, pela tubulação de esgoto. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), quatro já foram recapturados e desde 2002 não ocorre uma fuga em grupo no complexo.

De acordo com a Seap, as buscas estão sendo concentradas na rede de esgoto porque a maioria dos presos não conseguiu sair da tubulação. Policiais do 14º BPM (Bangu) foram acionados para ajudar nas buscas. Os internos recapturados serão transferidos para a Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino (Bangu I).

A Seap afirma ainda que abriu uma sindicância interna para apurar as circunstâncias da fuga. A corregedoria do órgão foi ao local para ouvir não só os funcionários da unidade mas também os detentos recapturados.

De acordo com um funcionário da secretaria que pediu para não se identificar, muitos dos 1.700 detentos do Instituto Penal Vicente Piragibe já obtiveram o direito de cumprir suas penas em regime semiaberto mas, como não conseguem cumprir exigências como a apresentação de um emprego fixo, não podem usufruir do benefício:

— O Vicente Piragibe é um presídio grande e um dos mais precários do Complexo de Gericinó. Os presos conseguem ficam muito tempo sem serem visualizados, e a entrada de drogas e celulares na unidade acaba sendo facilitada. Apenas dez inspetores por turno são destacados para vigiar cerca de 1.700 detentos.

Outras fugas do Complexo de Gericinó

Túneis usados para fugas não são uma novidade no Complexo de Gericinó. Em outubro de 2002, a PM encontrou um túnel de oito metros na Casa de Custódia Jorge Santana. Meses antes, 105 detentos fugiram do local, que acabou recebendo o apelido de Presídio de Papel.

De acordo com a Seap, desde outubro de 2011, quando sete detentos armados fugiram da carceragem da Polinter do Grajaú, não havia registros de fuga em grupo das unidades prisionais do Rio. Mas um levantamento feito pela própria secretaria a pedido do GLOBO, em 2011, já mostrava que cerca de 10% dos dez mil detentos que receberam algum tipo de benefício penal entre janeiro e outubro daquele ano não voltaram para a cadeia.

A fuga de um outro detento, que aproveitou a autorização para ir a uma consulta médica no próprio complexo penitenciário, também se tornou notória. Aconteceu em novembro de 2008, quando o ex-policial militar Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, fugiu do presídio de segurança máxima Bangu 8 pela porta da frente. A fuga do miliciano, considerado um dos principais matadores da milícia que atua em Campo Grande, só foi notada durante a contagem de presos, 24 horas depois. Ele foi resgatado por três homens, que usavam coletes da Seap. Imagens do circuito interno de segurança do presídio captaram o momento da fuga, que teria custado R$ 1 milhão. Na época, uma sindicância foi instaurada, mas a investigação não comprovou se a fuga havia sido comprada.

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