Professor diz que foi torturado pela polícia de Sergipe

por CADA MINUTO, da redação


A reportagem do Minuto Sertão foi procurada sexta-feira (22) pelo professor Hermes da Silva Gomes Júnior, 33 anos, residente no Povoado Jacarezinho, Município de Pão de Açúcar, Alagoas. Pai de dois filhos e casado com a professora Rosália de Farias, com formação superior, concursado, ele leciona faz mais de dez anos na rede municipal de ensino, estando lotado nas escolas municipais do Povoado Santiago e Vila Limoeiro, em Pão de Açúcar, onde goza de excelente conceito profissional.
Ele, bastante emocionado, denunciou detalhadamente as torturas e humilhações sofridas no momento em que policiais militares o prenderam acusando-o de tráfico de drogas, no momento em que o mesmo retornava de Aracaju, onde no dia anterior havia acompanhado a mãe e uma filha a fim de submeterem-se a consultas e exames médicos na capital sergipana.
Tudo começou quando o ônibus da Coopetaju em que viajava com destino ao Povoado Niterói, município de Porto da Folha, foi parado por um grupo de policiais do Grupo de Ações Táticas do Interior (GATI), no trecho da rodovia próxima a cidade de Siriri, por volta das 14 horas e 30 minutos do último dia 23.
A polícia determinou que os passageiros descessem do veículo para serem revistados. Com os passageiros não foi encontrado nada que os comprometessem. Depois alguns policiais verificaram o interior do ônibus e encontraram drogas no piso e em uma ou duas poltronas. Os policiais desceram do ônibus com as drogas nas mãos e, segundo um deles, uma passageira havia dito ter sido um rapaz que havia deixado a droga no interior do veículo ao perceber a presença da polícia, embora a vítima declarou não ter presenciado passageira alguma apontando ninguém. No ônibus estavam viajando aproximadamente 10 homens e 20 mulheres, inclusive o professor.
Segundo, ainda, a vítima, os policiais disseram ter encontrado no interior do ônibus: cocaína, crack e maconha, cuja quantidade ele não sabe informar porque não viu nenhum dos passageiros portanto drogas, pois durante a viagem ele vinha dormindo em razão de ter ficado sem dormir a noite inteira, por causa dos problemas de saúde enfrentados pela filha menor de 12 anos.
Ao perceberem que o professor Hermes estava com os olhos vermelhos, em consequência do sono, os policiais foram logo o acusando-o de ser usuário de cocaína, perguntando logo em seguida de onde ele era e a sua ocupação. Ele respondeu que era de Pão de Açúcar e trabalhava como professor, mas os policiais disseram que ele estava mentindo e começaram a humilhá-lo e o agredir fisicamente e com palavras de baixo calão. “Eles me levaram para trás do veículo, agrediram-me com tapas e murros, por cinco vezes, e me xingaram com palavras humilhantes”, disse o professor.
Ele narrou também que a polícia prendeu mais quatro homens que viajavam no veículo e que estes se identificaram como moradores de Pão de Açúcar. A polícia ao descobrir que os outros quatro acusados moram em de Pão de Açúcar, investiu contra o professor, na tentativa de forçá-lo a confessar que ele conhecia os demais acusados. Sempre que era interrogado e agredido por policiais, o professor respondia que morava na zona rural de Pão de Açúcar e por esta razão não conhecia os outros acusados.
A vítima declarou que além de ter sido submetida a interrogatórios e agressões físicas e psicológicas, passou por mais outro grave constrangimento, pois um dos policiais esfregou uma embalagem de substância química no seu nariz, acusando-o de ser usuário de cocaína. “Agora você vai usar o resto da cocaína que não deu tempo para você usar toda”, disse o policial.
O professor disse, também, que após os atos de interrogatórios, torturas e zombarias praticados pela polícia, ainda teve as mãos algemadas junto aos outros quatro acusados e conduzido na carroceria da viatura policial até a delegacia de polícia de Siriri. Não encontrando o delegado de polícia de plantão, foram levados imediatamente para a Delegacia de Maruim sob a acusação de tráfico de drogas. Durante o trajeto dos presos, inclusive expostos ao público na carroceria da viatura policial, algumas pessoas chegaram a gritar chamando-os de bandidos e ladrões.
Durante a sua permanência na carceragem, o professor Hermes não teve direito a beber água, a alimentar-se, apesar de dizer que estava com sede, e ficou incomunicável, inclusive a polícia jamais informou à família do professor sobre a sua prisão.
Outro momento de humilhação vivido pelo professor Hermes Gomes, já na delegacia, foi quando ele teve que ficar completamente despido para ser revistado. “Vivi momentos de terror psicológico, com sede, fome e sem comunicação com a minha família, além de dormir junto com outros presos numa cela quente, muito pequena, de aproximadamente dois metros e meio”, disputando com os demais presos um minúsculo espaço numa cama de cimento”, desabafou a vítima.
Perguntado pela reportagem do Minuto Sertão se ele achava que os outros acusados de Pão de Açúcar eram culpados ou inocentes, o professor foi enfático ao responder que não podia falar a respeito de pessoas que ele não conhecia. “Não posso falar sobre estas pessoas que eu jamais tinha visto antes e não as conheço. Só posso falar por mim. Eu sou inocente e nunca pensei que um dia fosse passar por tamanho sofrimento”, disse o professor Hermes.
Esposa aflita
Muito preocupada com o fato do esposo não ter chegado da viagem prevista e não ter dado notícias, a professora Rosália de Farias, logo pela manhã, veio à cidade de Pão de Açúcar, em busca de informações sobre o paradeiro do esposo. Ao ouvir informações sobre a prisão de cinco pessoas que vinham no ônibus, ela viajou ao Povoado Niterói e através do pessoal que trabalha no ônibus em que o professor Hermes viajou, ela foi informada sobre a prisão de cinco pessoas de Pão de Açúcar, acusadas de tráfico de drogas, próximo da cidade de Siriri, inclusive o seu esposo. Depois de passar por uma verdadeira via crussis, finalmente ela localizou o marido preso na delegacia de polícia da cidade Maruim.
Rosália, antes de seguir viagem, telefonou para uma de suas irmãs que residem em Aracaju e deu a triste notícia sobre a prisão do marido. A irmã de Rosália telefonou para a delegacia de Maruim e questionou o fato de a família não ter sido comunicada sobre a prisão do professor Hermes. O policial que atendeu a ligação telefônica respondeu deselegantemente que Hermes havia sido preso em flagrante portando uma mochila cheia de maconha. A cunhada pediu para falar com o professor, mas o policial negou, deixando-a sem maiores informações.
Chegando à delegacia de Maruim, a esposa da vítima dirigiu-se ao delegado de polícia em busca de informações sobre a prisão do marido, ele falou que não tinha maiores informações sobre a prisão porque estava assumindo a delegacia daquela data (23). A professora questionou a injusta prisão e a falsa acusação ao esposo, pois ele seria incapaz de praticar tal crime. Quando foi ouvida pelo delegado sobre a vida do esposo, a professora Rosália foi enfática e verdadeira, cujas informações foram confirmadas, na íntegra, pelo esposo, no momento em também foi ouvido pelo mesmo delegado.
Depois de ter sido ouvido e ter assinado o seu depoimento, a vítima foi solta por volta das 11 horas de quarta-feira (23) e imediatamente retornou para a sua cidade em um veículo cedido pela Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar. “Não tenho como agradecer ao prefeito Jorge Dantas e à secretária Ida Tenório pelo grande apoio dado ao meu esposo”, disse Rosália. “Espero que a verdade seja esclarecida, a justiça seja feita e esses policiais que prenderam o meu marido aprendam a trabalhar e a respeitarem os homens de bem, pois o que fizeram com o meu esposo foi uma injustiça”, finalizou a professora Rosália.
Questionado sobre como ele estava se sentindo e o que faria a parir de agora, ele respondeu que estava sentindo muita vergonha por ter sido preso, torturado e humilhado inocentemente e que estaria movendo uma ação contra o estado de Sergipe e contra os policiais envolvidos na sua abusiva prisão e contra os veículos de comunicação que divulgaram a notícia com acusações falsas contra a sua pessoa.
“Estou sentindo muita vergonha porque a minha imagem foi exposta negativamente para os meus alunos e para todas as pessoas. Os meus alunos não vão acreditar porque já me conhecem e sempre ouvem as orientações que passo sobre os males das drogas, porém as pessoas que não me conhecem, é claro, vão acreditar na versão da polícia. Por isso, quero provar a minha inocência para limpar o meu nome e vou entrar com uma ação contra o estado de Sergipe, contra os policiais que me prenderam e contra alguns veículos de comunicação que publicaram a notícia mentirosa sem ouvir a minha pessoa”, finalizou o professor Hermes.

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