Gestantes são atendidas no chão da Maternidade Santa Mônica em Maceió


Um dos partos foi realizado na recepção da unidade de saúde. Polícia foi acionada para oferecer segurança aos funcionários.

Natália SouzaDo G1 AL

Atendimento precário à gestantes de alto risco e mães em recuperação pós-parto no corredor da Escola Maternidade Santa Mônica. (Foto: Jonathan Lins/G1)Atendimento precário à gestantes de alto risco e mães em recuperação pós-parto no corredor da Escola Maternidade Santa Mônica. (Foto: Jonathan Lins/G1)
A superlotação na Escola Maternidade Santa Mônica, no bairro do Poço, em Maceió, vem resultando em um atendimento precário à gestantes de alto risco e mães em recuperação pós-parto.
 Com os leitos ocupados, dezenas de pacientes enroladas em lençóis sujos disputavam colchões no corredor da maternidade, na manhã desta segunda-feira (21). Um dos partos foi realizado na recepção e polícia militar foi acionada para garantir a segurança dos funcionários da maternidade, que é referência no Brasil em atendimentos à gestantes de risco.
Visivelmente indignada, a enfermeira Marinalva de Lima tentava prender o soro com esparadrapo na parede do corredor, enquanto prestava auxílio à dona de casa Maria Florisnete. “A moça acabou de sair de um parto normal, com sete meses de gravidez e não tem uma cama para ela. Essa situação é desumana tanto para a paciente quanto para quem está aqui trabalhando”, disse.
Ainda sentindo dores, Maria Florisnete contou à reportagem do G1 que tentou atendimento em outras maternidades da cidade. “Já tinha ido na Maternidade São Rafael, no Hospital Universtário e até no Alerta Médico, que é particular, mas nenhum estava aceitando gestantes de risco”, disse. “Esperava que após o parto eu tivesse o mínimo de dignidade”.
Devido ao superlotamento, pacientes estão sendo atendidos no chão (Foto: Jonathan Lins/G1)Devido ao superlotamento, pacientes estão sendo
atendidos no chão (Foto: Jonathan Lins/G1)
No mesmo corredor, outras cinco mães também ocupavam colchões em meio à circulação de macas e expostas à infecções. “Isso é antiético. Eu não estudei para isso, estudei para eliminar riscos de contaminação e infecção”, afirmou a médica obstetra Valtenice Velozo.
Problema administrativo
Para a diretora da Maternidade Santa Mônica, Rita Lessa, o descaso dos gestores públicos e das outras unidades médicas e a deficiência da cobertura de planos de saúde contribuem para o afogamento da Santa Mônica.
"As outras maternidades a exemplo da São Rafael, da Paulo Neto e da Nossa Senhora da Guia não estão recebendo essas gestantes. O Hospital Universitário também está paralisado por causa da greve. Nossos médicos também estão em greve, mas nós respeitamos os 30% de serviços essenciais à população", disse.
"Outro problema é que nós absorvemos a demanda dos hospitais particulares, pois os planos de saúde não cobrem emergência pediátrica e as pacientes acabam vindo para cá".
De acordo com Rita, somente na noite do domingo (20) foram realizados 40 atendimentos, número que em dias normais é o total dos atendimentos prestados pela Maternidade Santa Mônica. "Temos de dois a três médicos obstetras plantonistas, mas não têm condições da gente atender essa quantidade", disse.
A diretora ainda afirmou que a maternidade Santa Mônica, que pertence ao Estado, atende as pacientes através do Sistema Único de Saúde (SUS), mas solicita remanejamentos das para unidades municipais. "Solicitamos essas transferências através da Central de Regulação Assistencial de Leitos (Cora), só que existe repressão à livre demanda, não funciona à noite, programam partos cesários para o fim de semana, o que contribui para o afogamento aqui", disse.
Através da assessoria de imprensa, a prefeitura de Maceió informou que 26 novos leitos serão disponibilizadas no Hospital do Açúcar daqui a três semanas. Duas auditoras da Secretária Municipal da Saúde visitarão a maternidade ainda na tarde de hoje
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