João Alves profere palestra sobre a água na Assembléia

A palestra do ex-governador de Sergipe destacou a crise mundial da água, a transposição e revitalização do rio São Francisco
A Assembléia Legislativa recebeu na manhã desta quinta-feira, 10, o engenheiro, escritor e ex-governador João Alves Filho, que atendeu ao convite do deputado estadual Augusto Bezerra (DEM). Com o tema “Conseqüências do aquecimento global e a crise da água no Planeta”, João Alves falou sobre a crise mundial da água, transposição e revitalização do rio São Francisco.
João Alves lembrou que o aquecimento global é um problema atual promovido pelo efeito estufa, provocado pela emissão de gás carbônico das indústrias, além do crescimento de usinas termelétricas e de carvão e aumento no número de veículos nas últimas décadas. “Estamos enfrentando um problema global gravíssimo, que angustia a humanidade e que resulta em desastres ambientais como tsunamis, furacões, descongelamento do Pólo Norte e enchentes”, disse o ex-governador, lembrando que as mudanças climáticas chegarão a um nível inabitável, por causa do aumento da temperatura do planeta e dos níveis dos oceanos. “Não vai demorar para sentirmos estes impactos”, afirmou.

O ex-governador disse que estudos científicos elaborados por universidades e organizações não-governamentais mundiais comprovam que o Nordeste brasileiro será uma das regiões mais atingidas pelo aquecimento global, o que pode transformar o clima semi-árido em árido, provocando escassez de chuva, desertificação e grave impacto na agricultura da região. Segundo João Alves, um dos rios mais afetados será o São Francisco, que deve diminuir cerca de 26% a vazão de suas águas.

Crise mundial

Durante a palestra, João Alves falou sobre a crise da água no mundo, que é uma realidade já sentida por muitos países, onde já foi observado aumento do número de pessoas que abandonam os campos e regiões rurais e migram para as cidades. “Este é outro ponto crítico, pois o esgoto é lançado in natura, há aumento da indústria e ocasiona crescimento da poluição dos rios, das águas do subsolo, da miséria e da desigualdade”, analisou o ex-governador. Ainda foi informado, que dos seis bilhões de habitantes do planeta, cerca de dois bilhões já vivem sob estresse hídrico, ou seja, não têm água para beber e que mais da metade das doenças que atingem as pessoas dessas regiões são provocadas pela falta da qualidade da água consumida.
“A CIA diz que neste século vamos ter mais guerras entre países pela disputam da água que o petróleo”, informou.

O ex-governador finalizou sua participação na Assembléia Legislativa falando sobre a importância do rio São Francisco e de sua participação na história do Brasil. Ele criticou, de forma veemente, as obras de transposição do São Francisco e defendeu a necessidade de investimentos que busquem a revitalização de suas águas. Algumas regiões ribeirinhas do Estado já estão passando por problemas graves pelo avanço do mar, como o povoado do Cabeço e Porto da Folha, onde já é possível a pesca de robalo, peixe de água salgada, no rio que corta o município.

“Não há governo minimamente sensato no mundo que fizesse uma obra de transposição, sobretudo quando há alternativas mais baratas e que não afetariam o rio São Francisco. Essa obra forçará centenas de milhares de alagoanos e sergipanos, inclusive os habitantes de Aracaju, a abandonarem seus Estados”, concluiu.
Fonte: Agência Alese

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