Jovem joga carro por cima de outro após discussão


Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O universitário Wendell Santos Mangabeira, 19 anos, foi atropelado às 22h de domingo na rua Niceu Dantas, bairro Atalaia (zona sul de Aracaju), depois de uma discussão de trânsito. Ele foi atingido por uma caminhonete Kia Sportage que avançou contra ele e arrastou-o por cerca de cinco metros. O estudante está internado no Hospital São Lucas (bairro São José), pois sofreu fratura na bacia, cortes na cabeça e muitos arranhões no corpo, sobretudo nas costas. A família de Wendell considera o caso como tentativa de homicídio e afirma que o motorista do veículo é o empresário Ricardo Oliveira, dono da rede de lojas Pinguim (especializada em móveis e eletrodomésticos), reconhecido por testemunhas como o homem que dirigia o Sportage.
Tudo começou com uma confusão envolvendo jovens que saíam de um show de axé na área verde do antigo Hotel Parque dos Coqueiros. De acordo com testemunhas, Wendell passava pelo restaurante Carro de Bois, onde atravessou a rua para pegar um táxi e quase foi atropelado pela Sportage, que vinha pela contra mão e em velocidade acima do limite. A partir daí, seguiu-se uma discussão entre a vítima e Ricardo, que dirigia o carro. "Meu filho foi pra calçada e perguntou se a pessoa não estava lhe vendo. Aí o outro rapaz começou a xingar ele, dizendo que era pra ele sair do meio da pista. Neste momento, meu filho também xingou o rapaz", narrou o pai do estudante, Vanderley Mangabeira, em entrevista à rádio Liberdade 930 AM.
A troca de ofensas se seguiu até que Wendell perguntou ao empresário se iria "passar por cima" dele. "Vou!", teria gritado o acusado, enquanto dava a marcha ré no veículo. O universitário quase foi atropelado pela segunda vez e reagiu dando um soco na carroceria da Sportage. Foi a deixa para que Ricardo, ainda mais exaltado, acelerasse para o terceiro ataque. "Com isso, ele foi mais pra frente, fez o retorno e, a essa altura, meu filho já estava em cima da calçada. O carro subiu na calçada, pegou o meu filho, arrastou ele pro meio da rua e passou por cima dele, depois de arrastá-lo por cinco metros do local onde ele estava", conta Vanderley. A versão foi confirmada por amigos da vítima que escreveram sobre o assunto nas redes sociais.
Uma médica que jantava no Carro de Bois assistiu à cena e correu para prestar os primeiros socorros e acionar uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Wendell foi levado ao São Lucas em estado consciente, mas reclamando de muitas dores. Além dos arranhões nas pernas e do corte na cabeça, as costas saíram esfoladas, a ponto de ficarem em carne viva. O mais grave foi constatado no hospital: duas fraturas na região da bacia, o que exigiu uma cirurgia de correção concluída com sucesso na noite de ontem. De acordo com o pai, o estudante terá que ficar cerca de três meses imobilizado, até a reconstituição das fraturas. Apesar dos ferimentos, ele passa bem.
Uma queixa foi prestada na Delegacia Plantonista (Centro), de onde o caso foi encaminhado para a Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT). O inquérito para apurar o episódio deverá ser aberto hoje. Amigos da vítima se mobilizaram ontem na internet e divulgaram uma foto de Adriano, exigindo que ele fosse preso e processado. "É isso ai, galera! Conto com a colaboração de todos para que esse assassino pague pelo que fez. Ele cometeu uma tentativa de homicídio e omissão de socorro. Esperamos que esse não seja mais um caso impune", escreveu o também estudante Hyago Rodrigo, amigo de Wendell.

Defesa - À tarde, o advogado Walter Gomes Neto, contratado para fazer a defesa de Ricardo Oliveira, se apresentou à família de Wendell, comprometendo-se a pagar pelo tratamento de saúde dele. Ele informou também que seu cliente já se apresentou à Delegacia Especial de Turismo (Detur), na Atalaia, onde prestou um depoimento. Segundo a versão apresentada, o empresário agiu em "legítima defesa", pois se viu ameaçado de agressão durante a confusão.
Ricardo estava saindo de um restaurante e foi buscar a namorada e a mãe quando esbarrou com o Sportage em Wendell e seus amigos. Ricardo teria voltado para pedir desculpas, mas os rapazes se exaltaram e teriam ameaçado o motorista. "Nesse momento, três amigos se aproximaram do carro, cada um de um lado, e Wendell ficou na frente fechando a passagem. Com medo, Ricardo acelerou e foi em frente, passando por cima de Wendell. Em momento algum, no entanto, o pneu do carro passou por cima dele. Foi legítima defesa", argumentou Walter, ouvido à noite pelo site Infonet.

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