Deputada aponta irresponsabilidade na gestão de Rogério Carvalho na Saúde


Goretti Reis comemora assinaturas para CPI e diz: “É genocídio o que está acontecendo no estado”

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Deputada aponta irresponsabilidade na gestão de Rogério Carvalho na Saúde

Goretti: ligando problemas a Rogério

Por Joedson Telles

A deputada estadual Goretti Reis (DEM) comemorou, na semana passada, o fato de ter conseguido duas assinaturas a mais para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pode jogar luz no que a oposição define como o caos da Saúde Pública de Sergipe. Com as 10 assinatura dos parlamentares, o documento foi protocolado e a expectativa é que Sergipe saiba como a saúde chegou ao fundo poço. Para os governistas, a CPI, em sendo aprovada, deve ser estendida a outros governos – numa clara tentativas de investigar a gestão do governo João Alves Filho (DEM), aliado da deputada Goretti Reis. “Se for necessário, e ele (o líder do governo na Casa, o deputado Gustinho Ribeiro) achar que é prudente levar para o lado político, faça. É um direito dele mostrar onde estão tendo dificuldade de fazer. Agora, eu quero deixar bem claro: eles estão olhando muito mais a questão partidária política do que pela política de saúde”, disse, responsabilizando o deputado federal Rogério Carvalho (PT), então secretário de Saúde, como responsável pelo caos.

A visita de representantes do CRM à Assembleia Legislativa, na quarta (28), foi uma forma de fortalecer o pleito da CPI da Saúde?
É verdade. Ontem toda a representação do Conselho Regional de Medicina veio a essa Casa entregar um documento à presidência, eu fui chamada por membros do conselho porque sou autora do requerimento solicitando a CPI, e fizeram o convite para que eu pudesse estar presente. O que a gente viu só faz consolidar a necessidade. Quanto à situação que preocupa a sociedade, que é a questão de cunho político, a gente está vendo no dia-a-dia nas ações que não é de cunho político. Hoje, para comprovar que as entidades de classe, seja o CRM, o Conselho Regional de Enfermagem, todos que estão envolvidos, que têm uma organização, todos têm mostrado que precisa de uma intervenção urgente na questão da saúde pública. A rede de saúde está desorganizada, está sem gestão, e precisa de uma atitude coerente, que não fique sendo só de intervenção do Ministério Público do Estado de fazer acontecer. Consequentemente, a gente acompanha demandas judiciais fazendo com que o Estado assuma o Hospital João Alves e a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, porque já mostrou que a fundação está tendo incompetência de gestão, causando esse transtorno na vida da sociedade, faltando até uma agulha para fazer intervenção de uma anestesia, e põe em risco uma mãe ou uma criança, porque não tem uma agulha para fazer o procedimento anestésico. É genocídio o que está acontecendo no estado. Então, não podemos deixar mais que aconteça. Está aí a OAB, o Tribunal de Contas solicitando intervenção, dando prazo. Isso não é só os deputados que querem polemizar, são todos envolvidos diretamente com a saúde que estão com esse mesmo sentimento de tentar fazer uma organização na gestão pública de Sergipe. Ou se toma uma providência ou a gente vai chegar num caos pior do que o que já está. Já está na UTI e vai chegar ao óbito. Então, a gente não pode deixar acontecer porque seria uma omissão dessa Casa não estar participando desse movimento, fazendo essas parcerias. Dentro do próprio movimento da Casa, a gente pode estar convidando funcionários da administração direta e indireta. Vamos esclarecer, vamos jogar limpo com a sociedade. O que foi feito com o dinheiro público? Vamos ter responsabilidade e vamos corrigir.

Por que a oposição não aceita o argumento governista, que está faltando dinheiro para saúde pública, e que o problema existe em todo país?
Se você for olhar dentro dos repasses federais, Sergipe é o terceiro estado da federação em termo de suporte de recursos. Se você fizesse um comparativo com outros estados que recebem menos que Sergipe muitos deles estão mais organizados que o nosso estado. A própria União também é omissa, apesar de usar de política e dizer que a saúde é prioridade. Não é. Os investimentos que seriam necessários para o orçamento da saúde, se pegar o orçamento de 2011, o que tenho conhecimento é que foram investidos 4% do Orçamento da União para saúde. É muito pouco. Tem um movimento para ver se Orçamento chega a 10% pelo menos para a organização dos estados. A área de saúde avança com a tecnologia, com exames que são caros para o sistema, mas que dá a segurança para o cidadão ter um ter apoio diagnóstico. Então, precisa desses investimentos na saúde. A tecnologia avança e a medicina também avança, e isso dá mais segurança ao cidadão. Não é porque ele é pobre que não pode ter acesso à ressonância, não pode ter acesso a um procedimento cirúrgico de alta tecnologia. Então, precisa ter esse comprometimento da União com estados e municípios para garantia de recursos.

O pobre não tem direito?
Da forma que está, o pobre está vendendo o que tem para fazer um procedimento cirúrgico. Então, eu acho que precisa compor o que tem no estado para dar uma organizada. Se mostrar por A mais B que o dinheiro está bem aplicado, e realmente há falta de dinheiro, a gente vai dizer no final do relatório (da CPI) de uma forma muito clara e transparente. Agora, a gente não pode dizer que a questão é política, é isso ou aquilo sem abrir uma discussão, para uma visibilidade e para uma satisfação que a gente tem que dar ao usuário.

Os deputados Venâncio Fonseca e Augusto Bezerra dizem que o pai disso tudo é o deputado federal Rogério Carvalho. A senhora pensa o mesmo?
Também vejo por aí. Eu acho que o modelo de gestão empregado pela cabeça de Rogério Carvalho e para a equipe que ele trouxe de São Paulo para Sergipe, como se fosse a salvação da saúde, e a gente está vendo que não foi. Desestruturou o que tinha, que passou a não funcionar. Não botou o outro para funcionar, e, até hoje, tem obra inacabada. Então, realmente, mostrou que não sabe planejar como a gente faz na nossa casa. A gente não planeja o que vai gastar? A mesma coisa é com a saúde do nosso estado com o dinheiro público do nosso estado. Tem que saber planejar o que eu tenho, o que eu posso gastar e o que eu posso fazer no que eu estou investindo. Faltou zelo, visibilidade para que não estrangulasse o custeio, a falta de material, a falta de pagamento ao prestador, e, hoje, está esse transtorno na saúde do estado.

A senhora diria que ele foi irresponsável?
De certa forma foi porque deixar acontecer o que está acontecendo no estado de Sergipe. Criou a fundação e na época eu mostrei que esse Projeto de Lei estava indo contra ao que está na nossa Constituição. Fiz questão de deixar isso bem claro, e mesmo assim era o discurso que era para viabilizar, resolver mais rápido as licitações de compras e contratação de funcionários para facilitar a gestão da saúde e não foi isso que aconteceu.O processo que uma fundação tem que fazer para compra e aquisição de material tem que ter a lei de fiscalização. Então, por que tem que criar uma fundação que só fez um mecanismo para inflacionar o mercado? Hoje você vê a dificuldade de ter determinados profissionais justamente pelo preço diferenciado, como foi dito pelo próprio doutor Júlio. Têm médicos que recebem R$ 10 mil para cobrir um plantão final de semana, enquanto o outro está numa escala mensal recebendo R$ 1mil e pouco.Como aquele médico que está contratado vai continuar no serviço, se ele sabe que pode fazer escala alternativa ganhando mais? Você acaba perdendo o profissional e desorganizando o sistema. Então, tudo isso são formas erradas de tentar organizar o serviço e ter a continuidade dessas ações para a população.

Se a gente pegar as estatísticas de pessoas que necessitam de tratamento no setor de oncologia do Huse é possível encontrar coerência com essas atitudes da era Rogério Carvalho?
A gente vai ter oportunidade de fazer essas análises dessa questão da CPI, mas eu tenho uma análise da produção. Se eu pegar o procedimento dentro da rede de oferta de serviços do ano de 2006, que foi quando João saiu, fazendo essa análise do governo Déda, você vê, significativamente, a redução dessa oferta de quase 40% para população. Então, está mostrando que está chegando mais recursos e que a população está sendo menos assistidas em relação aos procedimento que o estado poderia está ofertando.

E quando o líder do governo, o deputado Gustinho Ribeiro, diz que a CPI deveria ser estendida a outros governos?
Se for necessário, e ele achar que é prudente levar para o lado político, faça. É um direito dele mostrar onde estão tendo dificuldade de fazer. Agora, eu quero deixar bem claro: eles estão olhando muito mais a questão partidária política do que a política de saúde. Aqui nós estamos discutindo política pública de saúde. O que está acontecendo são várias organizações que estão se mobilizando e gritando socorro. Essa CPI é para dar uma resposta a sociedade. Nós somos representantes do povo e por que vamos ficar omissos? Eu acho que o mais importante de tudo é que a gente tenha essa consciência que estamos lidando com vidas.

Gustinho disse que essa CPI é uma politicagem para tentar desgastar o governo Déda. Foi infeliz, na ótica da senhora?
Foi infeliz porque eu pergunto: qual a campanha política que nós temos próximo ano? A campanha passou em outubro. A eleição vai acontecer daqui a dois anos. Então, a questão de política, hoje, é política de saúde. De salvar vidas, de mostrar à população que não só a Assembleia, mas todas as entidades estão nesse mesmo movimento. Está sendo muito imatura essa colocação dele no sentido de achar que a questão é política. Está faltando ele se aprofundar mais, conhecer mais a realidade, ir ao João Alves ver in loco. As pessoas me procuram, até porque eu sou da área de saúde, e a gente tenta fazer na amizade as vezes coisas que o poder público poderia estar organizado, e oferecer a população. A gente fica tentando amenizar o sofrimento de um ou de outro. A partir do momento que ele começar a ir mais a essas unidades e ver o sofrimento da população, ele muda esse modo de agir e de pensar.

A oposição pagará um preço eleitoral alto, caso na aprove o empréstimo do Proinveste?
A questão do empréstimo é muito relativa. Cada um vai fazer essa análise do que é positivo e do que não é. Na semana passada, eu estive participando de um fórum sobre dívidas dos estado e a gente vê também que a forma econômica dessa país está muito desorganizada, se endivida mais o estado sem ter aquela necessidade do momento. Às vezes se faz um investimento de priorização achando que está fazendo o melhor e, de certa forma, está desorganizando. A mesma coisa são esses empréstimos que endivida o Estado. Resolve o problema de desenvolvimento, mas e a dívida que fica? Quais as consequências que o Estado pode ter em relação aos empréstimos? Será que o Estado vai ter o custeio suficiente que precisa para aquele ano ou só vai pagar dívida? Tem uma publicação que faz uma análise da dívida pública dos estados, e, efetivamente, o que a União está fazendo com os orçamentos. Mais de 46% do Orçamento da União, em 2011, está para pagar juros de dívidas. Mais de 25% só para a previdência, e o restante é para tudo. Para saúde 4%, para educação é menos de 3%. Como a gente vai melhorar esse país, se a gente investe tão pouco em saúde e educação? Que tipo de desenvolvimento nós queremos para o país? Têm erros e falhas e que, muitas vezes, se usa uma máscara e a sociedade não tem conhecimento disso, mas a sociedade paga por isso. Foi enviado para quatro países mais de 80 mil toneladas de grãos. Por que não ficou aqui? Se manda para fora do país, gasta com exportação para poder não deixar o preço daquele produto cair. Se for olhar são tantas contradições que nós temos da política econômica, e olhe que eu nem sou da política econômica, mas tive a oportunidade de ver uma palestra da jornalista Salete Salles, que tem uma visão da questão macro- econômica. Você acaba aprendendo mesmo não sendo da área econômica . Então, você acaba fazendo reflexões em relação ao que é dito, exposto como informação.

Da redação Universo Político.com

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