Conselho de Ética aprova cassação do mandato de Demóstenes


Perda do cargo ainda depende de análise da CCJ e votação em plenário.
Conselho concordou que Demóstenes quebrou decoro ao se aliar a bicheiro.

Conselho concordou que Demóstenes quebrou decoro ao se aliar a bicheiro. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O Conselho de Ética do Senado aprovou na noite desta segunda-feira (25), por unanimidade (15 votos a favor e 0 contra), relatório que pede a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres pelo elo com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para se efetivar, a perda de mandato ainda precisa passar por análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois ser votada no plenário da Casa, onde o voto é secreto.

A maioria dos integrantes do conselho seguiu o entendimento do relator, Humberto Costa (PT-PE), para quem Demóstenes quebrou o decoro e usou o mandato parlamentar para tentar beneficiar o contraventor, preso no fim de fevereiro na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Gravações da PF mostraram Cachoeira e Demóstenes conversando sobre votações. O senador chegou a ganhar um celular habilitado nos Estados Unidos para conversar com o bicheiro.
No parecer, Costa recomendou a cassação em parecer de 79 páginas, lido em aproximadamente três horas. “Estamos diante de, lamentavelmente, um mandato parlamentar corrompido. [...] Afirmo, sem tergiversar, que o senador Demóstenes Torres teve um comportamento incompatível com o decoro parlamentar: percebeu vantagens indevidas e praticou irregularidades graves no desempenho do mandato”, disse Humberto Costa.
Na sessão, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que Demóstenes foi alvo de um “massacre” e de “vazamento criminoso” das gravações da Polícia Federal que apontaram uma ligação entre o parlamentar.  “Os vazamentos foram um massacre à pessoa de um senador. [...] O vazamento foi criminoso, covarde e foi direcionado”, disse Kakay durante o tempo que teve no Conselho de Ética para defender o senador.
Após a apresentação do relatório, o senador Mário Couto (PSDB-PA) criticou a fala do advogado de Demóstenes, que pediu que o caso Demóstenes seja encaminhado para o plenário do Senado, onde a votação do processo será secreta. Dle defendeu o voto aberto.
“Jamais vi na minha vida uma defesa pedir a condenação. O que é isso? O que estamos vendo? A defesa pedir a condenação da pessoa que defende. Peço meu desligamento antecipado desse Conselho de Ética se o plenário do Senado inocentar o senador Demóstenes Torres com todas as provas. Traga o caixão do Senado Federal, enterre o Senado Federal. Sepulte de uma vez.”
O último senador a ter a cassação aprovada pelo Conselho de Ética foi Renan Calheiros (PMDB-AL), em 2007, após acusação de ter recebido recursos de uma construtora para pagar despesas pessoais da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. O plenário do Senado, no entanto, rejeitou a cassação.
Mariana Oliveira do G1, em Brasília

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