Venâncio está certo: o silêncio da SSP assusta


Venâncio está certo: o silêncio da SSP assusta

Venâncio: cobrando resposta da SSP

Ao cobrar da Secretaria de Estado da Segurança Pública um esclarecimento para o caso Jonatha, que aos 16 anos acabou sendo morto - para a polícia num "tiroteio", para a família executado pelo Estado -, o deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), foi seco: "o silêncio da SSP assusta".
 O deputado, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, ecoando as palavras do pai da vítima, observou que a polícia fala em tiroteio, mas não há uma só marca de bala no carro. E, lembrando que o garoto sequer tinha passagem pela polícia, enfatizou: a sociedade precisa de uma resposta convincente por parte da SSP.
 É evidente que não se pode descartar a chamada presunção de inocência e pregar, neste momento, cadeia para os policiais que participaram da operação que resultou no drama. Até porque o julgamento é pertinência do Poder Judiciário, mediante um júri popular. E, obviamente, sob a acusação de um promotor público munido de provas irrefutáveis. Irretorquíveis.
 Todavia, Venâncio tem razão quando fala que o silêncio da SSP assusta. Como já disse neste espaço, as ações são, no mínimo tímidas. A polícia parece que só acordou para a gravidade do fato quando o governador cobrou apuração e o pai do garoto bateu todas as portas possíveis. Mas antes disso... a impressão que se nutre é que se não fosse a inquietação de Araújo, jamais o corpo sequer seria encontrado.
 Aliás, o próprio coronel Iunes disse que a missão foi dada ao GTA somente na última quinta-feira, dia 22. Ou seja, a polícia de Sergipe esperou, pacientemente, oito longos dias para fazer o básico: sobrevoar a área. E, curiosamente, teve êxito menos de 24h depois que Araújo reuniu familiares e amigos de Jonatha à porta da SSP exigindo justiça...
 ... O que chama mais atenção é que, paradoxalmente, a competência da polícia serve neste momento para depor contra ela própria. A polícia de Sergipe sempre dá respostas convincentes à sociedade. Algumas com incrível rapidez. E para casos mais difíceis. No caso em tela, sabe-se quais os policiais que participaram da operação. Logo, não há porque se protelar tanto para elucidar o caso.
 Provavelmente, não deve faltar quem diga que não se passou tanto tempo assim. Que quem cobra age de forma açodada. Talvez tenham razão. A polícia precisa de tempo para concluir o inquérito. É muita responsabilidade. No entanto, há tanta evidência no caso em tela que nem Jó teria paciência para esperar o anúncio do óbvio.
 Déda e a morte de Jonatha
O governador Marcelo Déda (PT), que disse com exclusividade ao Universo não aceitar execução em seu governo salientou que, desde que tomou conhecimento do desaparecimento de Jonatha seu posicionamento foi no sentido de investigar, buscar encontrá-lo, prestar informações à família e à sociedade.
 Déda e a morte de Jonatha II
"Determinei pessoalmente, através de um e-mail de Brasília, ao secretário Luiz Eduardo Oliva que a Secretaria de Estado Direitos Humanos interviesse nessa questão. O Estado tem compromisso com os direitos humanos e com a integridade da pessoa física", disse Déda.
 Déda e a morte de Jonatha III
Segundo Déda, o Estado reprime o crime, mas no momento que esse enfrentamento superar a fronteira da lei, o papel do governo é investigar e punir quem agiu fora dos padrões e dos parâmetros da política de segurança pública, de direitos humanos e de respeito à Constituição da República que deve orientar a ação de todos os órgãos, e em especial os de Segurança Pública.
 Déda e a morte de Jonatha IV
"Orientei o secretário Eduardo Oliva a procurar a família do jovem, a procurar o Ministério Público, os advogados a acompanhar de maneira independente e autônoma as investigações feitas pela polícia. O secretário de direitos humanos é um secretário de status, portanto tem condições de fazer um acompanhamento independente, objetivando exigir uma investigação rigorosa para dar uma resposta a família sobre esse jovem desaparecido".
 Déda e a morte de Jonatha V
Déda observou ainda que, o Estado pode combater o crime sem precisar descumprir e legislação e sem ofender os direitos humanos. Segundo ele, na hora que o Estado, para cumprir a lei, agride os direitos humanos, não está colaborando com a Segurança Pública. Está agravando a situação. A violência do Estado não pode ser usada de forma irresponsável", disse.
  
Joedsontelles@gmail.com

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